Mozart na Selva

Mozart na Selva – Sexo, Drogas e Música Clássica 
Escrito pela oboísta e crítica musical norte-americana Blair Tindall, que tocou como substituta em orquestras como a Filarmónica de Nova Iorque, o seu interesse vai muito além dos argumentos apimentados utilizados para a sua promoção em todos os países em que foi publicado: mais que traçar um retrato do meio boémio que é frequentemente o mundo da música clássica, onde o sexo e a droga são tão correntes como nos meandros da pop, o livro acompanha a evolução da indústria da música erudita nos Estados Unidos. Ao longo de uma narrativa sobre a sua experiência pessoal e profissional como oboísta, desde os anos de escola até à opção dramática de mudar de carreira devido à escassez de oferta de trabalho, Blair Tindall introduz factos e números resultantes da sua investigação sobre a forma caótica e vertiginosa como a indústria musical e as orquestras se desenvolveram na América do pós-guerra. Um livro que deve interessar a todos os que gostam de música, estejam dentro ou fora do meio, e que não deixa de nos fazer pensar, tanto por analogia como por contraste, na pequenez da indústria da música erudita no nosso país. Foi editado há poucos meses em Portugal, pela Guerra e Paz, e, embora a publicação seja de saudar, é penoso ler a versão portuguesa devido à péssima qualidade da tradução: a nossa língua é tratada a pontapé (o que é infelizmente cada vez mais comum no panorama editorial português), a terminologia musical é frequentemente incorrecta e não faltam verdadeiros achados como este: chamar aos barcos que fazem a travessia do rio Hudson (que banha Nova Iorque), “cacilheiros”. Sem mais comentários… 
Ed. Guerra e Paz, 2007

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